Goianésia- O Brasil vive um momento histórico no setor avícola. Em 2025, as exportações de ovos atingiram níveis inéditos, com crescimento expressivo tanto em volume quanto em faturamento. O desempenho consolida o país como um importante fornecedor de proteína animal no mercado internacional e abre perspectivas positivas para 2026.
Segundo o agrônomo José Alvaraz, diversos fatores contribuíram para a expansão das exportações. “O crescimento tem sido contínuo. Nos últimos meses, o preço do ovo no atacado registrou alta superior a 40% em várias regiões produtoras do país. No entanto, esse aumento não está diretamente ligado aos principais polos de produção”, explica.
Entre os maiores polos produtores de ovos do Brasil estão Bastos, Santa Maria de Jetibá e Uberlândia. Já entre as maiores empresas do setor destacam-se Granja Mantiqueira, Granja Maria, Globoaves e Granja Iabuta. Apesar da forte produção interna, o país ainda importa ovos férteis para incubação, principalmente dos Estados Unidos, Reino Unido, França e Espanha. Apenas em 2024, foram importadas cerca de 625 mil dúzias desse tipo de produto, movimentando aproximadamente 57 milhões de dólares.
Dados da Brazilian Animal Protein Association mostram que, entre janeiro e setembro de 2025, o Brasil exportou 34.348 toneladas de ovos, considerando produtos in natura e processados. O volume representa um crescimento de 174,1% em relação às 12.542 toneladas embarcadas no mesmo período de 2024.
Para José Alvaraz, o cenário favorável está diretamente ligado à qualidade da produção nacional. “O Brasil conta com produtores qualificados, boa estrutura e capacidade para atender à demanda internacional. Ainda há desafios, como a necessidade de avanços na melhoria genética e maior acesso a linhagens mais produtivas e saudáveis, especialmente de galinhas poedeiras e matrizes”, afirma.
O especialista aponta que a importação de ovos férteis é considerada mais segura do que a importação de aves vivas. Esses ovos, classificados na NCM 0407.11.00, exigem anuência prévia do Ministério da Agricultura e estão sujeitos apenas ao imposto de importação, com alíquota de 7,2%. “Como o Brasil é reconhecido como país livre de influenza aviária, isso tem impulsionado as exportações”, completa.
Atualmente, os principais destinos dos ovos brasileiros incluem México, Venezuela, Senegal, África do Sul, Chile, Emirados Árabes Unidos, Japão e Cuba.
As perspectivas para 2026 seguem otimistas. Projeções do setor indicam que o Brasil pode exportar até 45 mil toneladas de ovos, com produção estimada em cerca de 66,5 bilhões de unidades. Esse volume representaria entre 1,3% e 1,5% da produção nacional, reforçando o potencial de crescimento do segmento e a consolidação do país como um fornecedor relevante no mercado global.




