Goianésia- Com o início de 2026, cresce em todo o país a procura por linhas de crédito como alternativa para cobrir dívidas e reorganizar o orçamento familiar. Especialistas explicam que o retorno à rotina após as festas de fim de ano, aliado ao acúmulo de despesas típicas do período, como impostos, material escolar e contas atrasadas, impulsiona a busca por empréstimos, financiamentos e renegociações logo nos primeiros meses do ano.
O economista Márcio Ribeiro avalia que os altos índices de inadimplência ajudam a explicar esse movimento. “O brasileiro recorre ao crédito porque falta dinheiro no fluxo de caixa, tanto na pessoa física quanto na jurídica. A inflação elevada, a ausência de reajuste real no salário mínimo e o baixo crescimento do PIB impactam diretamente o poder de compra”, analisa.
Indicadores recentes reforçam esse cenário. Dados do Banco Central mostram que, em outubro de 2025, o comprometimento da renda das famílias brasileiras chegou a aproximadamente 49,3%, refletindo o uso frequente do crédito não apenas para consumo, mas também para o pagamento de dívidas antigas.
Márcio Ribeiro alerta para os riscos de recorrer a essas linhas sem planejamento financeiro adequado. “Muitos brasileiros não têm o hábito de organizar as finanças. Somam despesas, percebem a falta de recursos no fim do mês e acabam utilizando cartão de crédito, cheque especial e parcelamentos, gastando mais do que podem pagar”, explica.
Apesar das dificuldades, há sinais de mudança de comportamento. Uma pesquisa da Serasa, em parceria com o Opinion Box, aponta que 42% dos brasileiros têm como principal meta financeira em 2026 a quitação de dívidas. O levantamento também revela que 92% afirmam estar se organizando para melhorar a saúde financeira ao longo do ano, indicando maior preocupação com planejamento e controle dos gastos.



