Goianésia - A crise no setor leiteiro continua pressionando produtores rurais em Goiás neste início de 2026, após um ano marcado por forte instabilidade em 2025. De acordo com a Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás, o cenário é considerado crítico e resulta de uma combinação de fatores, como o aumento das importações de lácteos, a elevação dos custos de produção, o consumo interno praticamente estagnado e a maior oferta nacional de leite.
Levantamento da Gerência de Estudos Técnicos e Econômicos da entidade aponta que o preço pago ao produtor goiano caiu, em média, 22 por cento em um ano, passando de R$ 2,60 para cerca de R$ 1,80 o litro. Segundo o gerente técnico da Federação, Edson Novaes, os impactos da crise vão além da produção rural e afetam toda a cadeia produtiva. “Quando o produtor perde renda, toda a cadeia sente. Pequenas indústrias, transportadores e prestadores de serviço ligados ao leite também são impactados, o que compromete a economia regional”, afirmou.
Edson Novaes ressalta que, como medida emergencial para conter o avanço da crise em Goiás, é fundamental reduzir o volume de importações de produtos lácteos. De acordo com ele, a recuperação do setor exige ações estruturantes e planejamento de longo prazo. “É preciso adotar políticas públicas que tragam mais estabilidade, previsibilidade e segurança econômica para quem produz. Sem isso, o produtor não consegue se manter na atividade”, destacou.
A Faeg informa que além da expressiva queda no preço do leite registrada ao longo de 2025, os custos de produção tiveram aumento aproximado de 3 por cento. Diante do desequilíbrio entre despesas e remuneração, a Federação estima que centenas de produtores tenham abandonado a atividade leiteira em Goiás neste início de 2026, agravando ainda mais a crise no setor.




