Goianésia-O cenário político brasileiro e goiano tem sido marcado por debates sobre investigações financeiras e movimentações partidárias que podem influenciar o quadro eleitoral dos próximos anos. Entre os temas recentes está o caso envolvendo o Banco Master, que passou a ganhar repercussão nacional após a divulgação de informações relacionadas ao empresário Daniel Vorcaro. Paralelamente, a política em Goiás registra articulações e mudanças de posicionamento entre lideranças, com impacto na formação de alianças para as eleições de 2026.
Investigação do Banco Master
Em entrevista exclusiva à RVC FM, o ex-deputado federal Vilmar Rocha afirmou, durante seu quadro semanal no Fatorama, que as investigações sobre o caso financeiro estão em fase inicial e podem revelar novas informações ao longo do processo.
“O caso do Banco Master está apenas no começo da elucidação desses crimes, e ainda há muito a acontecer. Até agora, apenas um dos oito celulares do Vorcaro foi periciado. Quando todos forem analisados, acredito que surgirão novas revelações desse que considero o maior escândalo financeiro do Brasil”, declarou.
O ex-parlamentar também mencionou a possibilidade de novos desdobramentos caso o empresário decida colaborar com as investigações.
“Nós vamos poder falar por muito tempo sobre esse caso, e acredito que aumentou a possibilidade de uma delação premiada do Daniel Vorcaro. Se ele fizer essa delação, pode ter impacto na cúpula do Poder Judiciário, do Poder Legislativo e também do Poder Executivo no Brasil”, disse.
Durante a entrevista, Vilmar comentou informações divulgadas na imprensa que citam contratos firmados entre o empresário e o escritório da esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes. Para ele, o caso levanta questionamentos sobre a natureza da contratação.
“Nunca houve um contrato de advocacia por R$ 129 milhões. Eles estavam pagando cerca de R$ 3,5 milhões por mês para o escritório da esposa do ministro Alexandre de Moraes. O contrato não tinha uma cláusula específica dizendo quais processos seriam acompanhados”, afirmou.
O ex-deputado também citou notícias que mencionam o nome do ministro Dias Toffoli em reportagens relacionadas ao caso e afirmou que as investigações precisam esclarecer os fatos divulgados.
“Pelo que vem sendo publicado e pelos indícios apresentados nos noticiários, há menções envolvendo autoridades de diferentes poderes. Para um cidadão comum, é algo impressionante ver suspeitas que atingem as mais altas instâncias do país”, disse.
Movimentações políticas em Goiás
Além do cenário nacional, a entrevista abordou o momento político em Goiás, marcado por mudanças partidárias e articulações que podem influenciar a formação de alianças para o Senado. A aproximação do senador Vanderlan Cardoso com o grupo político do governador Ronaldo Caiado tem alimentado a possibilidade de mais de dois nomes disputarem uma vaga dentro da mesma base.
Ao analisar esse cenário, Vilmar avaliou que a configuração ideal seria com menos candidaturas dentro do mesmo grupo político.
“O ideal é que houvesse apenas dois nomes, para dar mais unidade à base. Mas isso nem sempre é possível politicamente, e a legislação permite mais candidaturas. Por isso, acredito que, nesse caso específico, pode acabar ocorrendo a presença de três candidatos”, afirmou.
O ex-parlamentar também explicou que as movimentações partidárias das próximas semanas devem ajudar a tornar o cenário eleitoral mais definido.
“O quadro da sucessão estadual está ficando mais claro e deve se definir melhor até o início de abril, quando acontecem novas filiações e mudanças de partido. Depois desse período, as definições finais ocorrem nas convenções partidárias entre julho e agosto”, explicou.
Disputa ao Senado e ao governo
Outro ponto abordado foi o número de possíveis candidatos ao Senado e ao governo estadual. Para Vilmar, a disputa pela vaga no Senado costuma se consolidar mais próximo do período eleitoral.
“O voto para senador geralmente é decidido nos últimos dias da eleição. Grande parte dos eleitores escolhe o candidato apenas nas semanas finais da campanha, por isso o cenário pode mudar bastante até lá”, afirmou.
Em relação ao governo estadual, ele apontou nomes que já aparecem nas discussões políticas.
“Pelo que se desenha até agora, você deve ter candidaturas como a de Daniel Vilela, de Marconi Perillo, de Wilder Morais e também um nome do PT que ainda será definido”, declarou.
Reunião nacional do PSD
O ex-deputado também detalhou o cenário nacional e mencionou uma reunião com governadores ligados ao Partido Social Democrático (PSD), do qual faz parte, realizada em São Paulo. O encontro discutiu possíveis nomes para a disputa presidencial.
“Estive reunido com três governadores que são citados como possíveis candidatos do PSD à Presidência: Ratinho Júnior, Ronaldo Caiado e Eduardo Leite. A ideia é que, até o dia 31 de março, o partido defina quem será o candidato, e eu pretendo apoiar o nome que for escolhido”, afirmou.
Para Vilmar, o processo eleitoral de 2026 terá impacto direto na composição do Congresso Nacional e na definição do comando político do país.
“Espero que o eleitorado acompanhe com atenção as eleições para presidente, governador, senador e deputados, porque vamos definir a composição do Congresso e também os rumos políticos do Brasil nos próximos anos”, concluiu.




