Goianésia-A decisão do governo norte-americano de anunciar novas tarifas sobre produtos brasileiros reacendeu discussões sobre comércio internacional e relações diplomáticas entre Brasília e Washington. O tema ganhou repercussão após declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que voltou a adotar medidas protecionistas em sua política comercial.
Em entrevista exclusiva ao Fatorama, o ex-deputado federal Vilmar Rocha afirmou que o atual momento não representa um problema isolado entre Brasil e Estados Unidos, mas reflete a forma de atuação da gestão republicana.
"Historicamente, temos uma relação muito produtiva com os Estados Unidos. Mais uma vez, essas relações estão muito tensas. Mas não é só com o Brasil. Isso ocorre por causa do estilo de governo do Trump. Essa tensão existe com outros países do mundo, inclusive em relação às tarifas", afirmou.
Na avaliação de Vilmar, a proposta anunciada pela Casa Branca apresenta contradições quando observada sob a ótica econômica. Segundo ele, o fluxo comercial entre os dois países não justificaria uma medida dessa natureza.
"O Brasil, na relação com os Estados Unidos, tem uma balança comercial deficitária. Então, essa tarifa de 25% não faz muito sentido. Ela não é racional. Existe um componente que vai além da racionalidade econômica e se aproxima mais da política. Se você observar tecnicamente, o Brasil é deficitário na relação comercial com os Estados Unidos", declarou.
Apesar das preocupações geradas pelo anúncio, ele acredita que ainda existe margem para mudanças por parte do governo norte-americano.
"Ele tem uma característica de anunciar algo e, um ou dois dias depois, voltar atrás. Então, precisamos aguardar os desdobramentos dessa decisão", comentou.
Pix entra na discussão comercial
Outro ponto que chamou atenção nos debates recentes foi a menção ao Pix em documentos divulgados pelos Estados Unidos sobre a relação comercial com o Brasil. O sistema brasileiro de pagamentos instantâneos foi citado diversas vezes nos relatórios analisados por especialistas. Para Vilmar Rocha, entretanto, não há possibilidade prática de interferência externa no funcionamento da ferramenta.
"O Pix foi criado na gestão anterior, ainda no governo Bolsonaro, quando Roberto Campos Neto presidia o Banco Central. O Pix é um sucesso. Eu não acredito que haverá mudanças e nem que o governo americano tenha condições de interferir no sistema", avaliou.
Ele entende que a inclusão do tema nas discussões pode fazer parte de uma estratégia de negociação mais ampla.
"Acredito que essa discussão sobre o Pix funciona como um 'bode na sala'. Você coloca o bode e, depois, para retirá-lo, negocia outras situações. Não vejo possibilidade de interferência no Pix", acrescentou.
Pesquisa mostra cenário ainda indefinido para 2026
A entrevista também abordou os resultados da pesquisa Real Time Big Data, que apontou empate técnico entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, em uma eventual disputa de segundo turno pela Presidência da República. Para o ex-deputado, ainda é cedo para considerar qualquer cenário consolidado, já que o processo eleitoral está distante e sujeito a mudanças.
"Precisamos entender que o cenário político para a Presidência da República está em evolução. Ele ainda não está definido nem formatado. Muitas mudanças podem ocorrer até o dia 4 de outubro, data do primeiro turno das eleições", disse.
Vilmar também avaliou que existe uma parcela significativa do eleitorado em busca de uma alternativa ao atual governo federal, mas que esse movimento ainda não encontrou uma candidatura capaz de concentrar esse apoio.
"A sociedade está testando um nome, depois outro, mas, com certeza, haverá convergência em torno daquele que for considerado mais viável para derrotar o PT", afirmou.
PSD discute composição da chapa presidencial
A formação da chapa presidencial de Ronaldo Caiado também entrou na pauta da entrevista. Vilmar revelou conversas recentes com lideranças nacionais do PSD, entre elas o presidente da sigla, Gilberto Kassab, e o ex-senador Jorge Bornhausen.
Segundo ele, Kassab demonstrou disposição para integrar uma eventual chapa presidencial, caso esse seja considerado o melhor caminho para o partido.
"Ele me disse o seguinte: 'Eu topo ser vice. Estou animado com a candidatura do Ronaldo Caiado. Ainda há muita coisa para acontecer, mas o partido dará todo o apoio a ele'", relatou.
Na visão do ex-deputado, uma composição com Kassab teria potencial para ampliar a capilaridade política da candidatura de Caiado em todo o país.
"Se o Kassab for o vice, ele consolidará o apoio majoritário do PSD. O partido é grande, tem mais de mil prefeitos no Brasil. Se Kassab integrar a chapa, a tendência é que a base do PSD apoie Caiado", concluiu.




