Doenças como botulismo, tétano e gangrena gasosa preocupam produtores

Goianésia- A escassez de vacinas contra clostridioses tem acendido um alerta entre pecuaristas em Goiás. O problema afeta diretamente a imunização dos rebanhos contra doenças graves, como botulismo, tétano e gangrena gasosa, aumentando o risco de mortalidade de animais e de prejuízos econômicos para produtores de carne e leite.

Segundo o presidente da Agrodefesa, José Ricardo Caixeta Ramos, o desabastecimento começou após a retirada preventiva de uma das principais vacinas utilizadas no país. A decisão foi tomada pelo Ministério da Agricultura depois do registro de falhas em lotes do imunizante, que teriam provocado mortes de animais em diferentes estados brasileiros.

“Tivemos uma vacina líder de mercado que causou mortalidade de alguns animais no Brasil, e o Ministério da Agricultura retirou essas doses de forma preventiva até a conclusão das investigações. Nesse período, o laboratório não conseguiu manter o fornecimento, e houve também investigação envolvendo outro fabricante, o que gerou insegurança e fez muitos produtores segurarem a vacinação”, explicou.

A falta dos imunizantes preocupa especialmente porque as clostridioses são doenças de rápida evolução e alta letalidade. Sem vacinação adequada, o rebanho fica mais vulnerável, principalmente em propriedades com grande circulação de animais ou manejo intensivo.

De acordo com José Ricardo, o Ministério da Agricultura já trabalha para recompor os estoques no país, por meio da liberação de novos lotes e também da importação de vacinas. A expectativa é de que o abastecimento seja normalizado gradualmente ainda neste semestre.

“O Ministério da Agricultura é responsável pela regulação desse mercado. As agências estaduais informam a demanda de vacinas conforme o tamanho do rebanho, e o ministério faz esse acompanhamento junto aos laboratórios. Assim que começou a faltar vacina, reforçamos os ofícios e comunicamos o problema. Agora, já temos uma nota oficial do ministério informando a retomada gradual do abastecimento”, afirmou.

Após a divulgação dos resultados preliminares das investigações sobre os lotes com problemas, produtores passaram a demonstrar maior confiança na retomada da vacinação. Mesmo assim, as autoridades sanitárias reforçam a importância do acompanhamento veterinário e da atualização do calendário vacinal dos animais.

A orientação é que produtores procurem médicos-veterinários para avaliar a situação do rebanho, principalmente nos casos em que os animais estejam há mais de seis meses sem dose de reforço. O monitoramento técnico é considerado essencial para reduzir riscos sanitários e evitar prejuízos nas propriedades rurais.

Em Goiás, a estimativa é de que sejam necessárias cerca de 20 milhões de doses para atender todo o rebanho bovino do estado.

Além da preocupação com as vacinas contra clostridioses, maio também marca o período obrigatório para declaração de rebanho junto à Agrodefesa. O órgão ainda alerta os produtores sobre a importância da prevenção da brucelose, doença que será tema de uma semana estadual de conscientização voltada ao fortalecimento das medidas sanitárias nas propriedades rurais.