Goianésia-A presença feminina no agronegócio brasileiro tem crescido de forma significativa nos últimos anos, ampliando a participação das mulheres não apenas nas atividades operacionais, mas também na gestão das propriedades rurais e na tomada de decisões estratégicas dentro da pecuária. Em Goiás, produtoras rurais relatam que características como atenção aos detalhes, busca constante por conhecimento e abertura para novas tecnologias têm contribuído para mudanças importantes no setor.
A produtora rural Maria Beatriz Ricc acredita que uma das principais diferenças da atuação feminina está na disposição para aplicar, na prática, conhecimentos baseados em pesquisas e evidências técnicas.
“Eu acho que uma característica muito grande do trabalho da mulher na gestão é que ela aceita muito as colocações vindas da ciência, das comprovações feitas pela ciência. E, se tem que fazer, faz. E faz com muita precisão, muito detalhe e muito capricho. Tudo isso ajuda nas características femininas a desenvolver esse trabalho na pecuária”, afirma.
O avanço da participação feminina no campo também aparece nos números. Dados do último Censo Agropecuário do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que mais de 900 mil estabelecimentos rurais no Brasil são administrados por mulheres. O levantamento aponta ainda o aumento da presença feminina em programas de capacitação, cursos técnicos e atividades ligadas à administração de negócios rurais.
Para Maria Beatriz, a qualificação profissional é um dos fatores que têm impulsionado o protagonismo das mulheres no agro. Segundo ela, a busca por aprendizado constante e a disposição para testar novas práticas fazem parte da rotina de muitas produtoras.
“Eu não ando a cavalo, não monto. Nada disso. Eu percorro toda a minha fazenda de caminhonete, vou aos pastos, acompanho o que está acontecendo e, muitas vezes, chamo meus funcionários para irem comigo. Fazemos juntos o que precisa ser feito”, relata.
A produtora destaca que, embora a participação masculina ainda seja predominante em muitos cursos e treinamentos voltados ao setor, as mulheres têm ocupado esses espaços em condições semelhantes.
“Na maioria dos cursos que faço, grande parte dos participantes ainda é formada por homens, mas a participação da mulher acontece de igual para igual. Talvez a diferença esteja depois que o curso termina. A mulher quer experimentar, quer colocar em prática, quer verificar se aquilo realmente traz vantagens, melhorias e resultados”, explica.
A ampliação da presença feminina na pecuária reflete uma transformação gradual no perfil do agronegócio brasileiro. Cada vez mais, mulheres assumem funções de liderança, administração e planejamento das propriedades, contribuindo para a modernização das atividades rurais e para a adoção de novas tecnologias no campo.
Experiências como a de Maria Beatriz mostram que o espaço conquistado pelas mulheres vai além da participação na produção. Hoje, elas também ocupam posições estratégicas e ajudam a conduzir decisões que influenciam diretamente a produtividade e o desenvolvimento do setor agropecuário.




