Participantes tiveram como inspiração a obra "O Pequeno Príncipe"

Goianésia-Uma tecnologia desenvolvida por estudantes do Instituto Federal de Goiás (IFG) colocou o Brasil no topo de uma competição internacional voltada à inovação e à inclusão. O projeto, criado para ampliar a autonomia e a segurança de pessoas com deficiência visual, conquistou o primeiro lugar em um congresso que reuniu participantes de diversos países e contou com a participação do estudante goianesiense Pedro Wilson Cardoso.

A conquista ocorreu durante o Congresso Internacional de Eco, Inclusão, Tecnologia e Inovação, evento realizado anualmente e que reúne propostas tecnológicas voltadas à solução de desafios sociais. Nesta edição, os participantes tiveram como inspiração a obra O Pequeno Príncipe, elemento que influenciou a construção estética dos projetos e a integração entre arte e tecnologia.

Pedro Wilson Cardoso, integrante da equipe vencedora, explica que o grupo desenvolveu uma ferramenta chamada La Rosa, concebida para auxiliar pessoas com deficiência visual em suas atividades cotidianas.

“O nosso protótipo se chama La Rosa. O objetivo é unir hardware de baixo custo com algoritmos complexos e inteligência artificial para promover mais segurança na mobilidade de pessoas com deficiência visual, principalmente em ambientes domésticos”, afirma.

A proposta busca utilizar recursos tecnológicos acessíveis para oferecer suporte à locomoção dos usuários, reduzindo obstáculos e aumentando a independência dentro de casa. O reconhecimento internacional evidencia o potencial de soluções desenvolvidas em instituições públicas de ensino para enfrentar desafios relacionados à acessibilidade.

A relevância de iniciativas desse tipo é reforçada pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que apontam que mais de 6,5 milhões de brasileiros convivem com algum grau de deficiência visual, entre cegueira e baixa visão. O cenário amplia a demanda por ferramentas capazes de proporcionar mais autonomia e qualidade de vida a essa parcela da população.

Embora o projeto ainda esteja em fase de desenvolvimento, os pesquisadores já trabalham em melhorias e novas aplicações para a tecnologia. Segundo Pedro Wilson, a intenção é ampliar o alcance da ferramenta para além dos ambientes residenciais.

“Este aplicativo possui inteligências artificiais integradas para auxiliar os usuários. Ainda não chegamos ao produto final, mas estamos trabalhando para construir uma base de usuários e oferecer apoio a pessoas que necessitam de auxílio não apenas dentro de casa, mas também na mobilidade do dia a dia”, explica.

O estudante destaca que uma das próximas etapas do projeto consiste em adaptar a tecnologia para espaços urbanos e ambientes abertos, ampliando as possibilidades de utilização.

“Inclusive, estamos desenvolvendo recursos para escalonar o uso da ferramenta não só em ambientes domésticos, mas também em zonas urbanas e áreas abertas”, acrescenta.

Mais do que a conquista de um prêmio internacional, o resultado demonstra a capacidade da pesquisa desenvolvida em instituições públicas de ensino de gerar soluções com impacto social direto. O reconhecimento também fortalece a presença de Goiás e do Instituto Federal de Goiás em iniciativas voltadas à inovação tecnológica e à inclusão, áreas que ganham cada vez mais relevância diante dos desafios de acessibilidade enfrentados por milhões de pessoas no Brasil.