Goianésia - Entre março de 2021 e março de 2025, Goiás perdeu cerca de 10 mil filiados a partidos políticos, conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O número total passou de pouco mais de 680 mil para cerca de 670 mil — uma queda de 1,4% no período.
Para a cientista política Ludmila Rosa, o dado reflete uma crise de confiança e legitimidade das siglas junto à população. "É um sintoma do momento democrático que a gente vive, da desconfiança institucional que persiste desde 2013. Os partidos são grandes canais desse desconforto com as instituições", explica.
A filiação partidária, que já foi uma das principais formas de participação política, tem perdido força. Muitos candidatos hoje constroem suas bases em projetos pessoais, principalmente nas redes sociais, e não mais dentro de estruturas partidárias consolidadas. O fim das coligações proporcionais também fez com que os partidos priorizassem nomes mais competitivos, mesmo que menos conectados às suas bases.
Apesar da perda geral, partidos com identidade ideológica mais definida cresceram. O PT, por exemplo, ganhou cerca de 4 mil novos filiados, saltando de 44 mil para 48 mil. Já o PL teve um aumento ainda mais expressivo: passou de 37 mil para 46 mil.
Entre os partidos tradicionais, o cenário é oposto. O MDB segue com o maior número de filiados, mas perdeu mais de 5 mil nomes. O PSDB, que governou Goiás por quatro mandatos sob Marconi Perillo, caiu de 72 mil para 67 mil. O PP também teve retração, indo de 55 mil para 53 mil.
Por outro lado, siglas como o recém-criado PRD e o União Brasil — formado a partir da fusão do DEM com o PSL — têm ampliado suas bases. O União Brasil, por exemplo, aparece agora com 55 mil filiados, superando a soma das duas legendas em 2021.
Ludmila destaca que esse novo comportamento sinaliza uma mudança no perfil do eleitorado: “As pessoas estão buscando partidos que de fato representem suas agendas e valores. O grande desafio das legendas hoje é reconectar com uma juventude que não foi preparada para pensar política de forma coletiva. Vivemos em um mundo altamente individualizado, onde a arena política são as redes sociais”.




