Goianésia- O deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO) foi condenado pela Justiça do Distrito Federal por declarações consideradas ofensivas à ex-ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. A decisão também abrange ofensas dirigidas ao deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).
O caso tem origem em uma publicação feita por Gayer, em março de 2025, na rede social X (antigo Twitter). Na ocasião, o parlamentar afirmou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria “oferecendo” Gleisi Hoffmann aos presidentes do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), “como um cafetão oferece uma garota de programa”. Na mesma postagem, o deputado também fez insinuações de cunho sexual envolvendo as autoridades citadas.
A publicação foi posteriormente excluída, mas motivou ação judicial. O episódio ocorreu após declaração de Lula sobre a escolha de uma “mulher bonita” para a articulação política do governo com o Congresso Nacional.
Na decisão, o desembargador Alfeu Machado considerou que as falas extrapolaram os limites da liberdade de expressão e configuraram misoginia e violência institucional. Segundo ele, o conteúdo das declarações reduziu a então ministra a um estereótipo sexual e não apresentou elementos que caracterizassem debate político legítimo.
Em primeira instância, a 17ª Vara Cível de Brasília havia entendido que as manifestações estavam protegidas pela imunidade parlamentar. No entanto, a sentença foi reformada pela 6ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDFT), que acolheu recurso e reconheceu o dano moral.
Com a decisão, Gustavo Gayer foi condenado a pagar indenização de R$ 10 mil a Gleisi Hoffmann e a Lindbergh Farias. O tribunal também determinou que o parlamentar publique uma retratação pública em suas redes sociais, com menção expressa à decisão judicial, no prazo de dez dias, sob pena de multa diária de R$ 1.000 em caso de descumprimento.




