Goianésia-Uma operação da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), realizada na manhã desta terça-feira (23), resultou na prisão de sete pessoas investigadas por participação em um esquema que teria causado prejuízos milionários a aposentados e pensionistas clientes do Banco de Brasília (BRB). Entre os detidos estão três servidores da própria instituição financeira.
As investigações apontam que cerca de 3,5 mil contas bancárias foram atingidas por descontos considerados irregulares. O prejuízo estimado aos correntistas ultrapassa R$ 5 milhões, segundo a Polícia Civil.
A ação ocorreu simultaneamente no Distrito Federal e em Minas Gerais. Equipes policiais cumpriram mandados de prisão e busca em diferentes regiões do DF, incluindo Plano Piloto, Asa Sul, Asa Norte, Recanto das Emas, Brazlândia e Jardim Botânico.
Em Minas Gerais, os alvos foram localizados nas cidades de Belo Horizonte e Igaratinga. O trabalho é coordenado pela Coordenação de Repressão aos Crimes Contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf), unidade especializada da Polícia Civil responsável por apurar crimes financeiros e fraudes contra consumidores.
De acordo com os investigadores, os suspeitos entravam em contato com aposentados e pensionistas sob o pretexto de obter autorização para cobranças vinculadas a associações. A apuração indica, porém, que parte dessas autorizações teria sido forjada para legitimar descontos sem o consentimento dos clientes. A polícia afirma que foram identificadas situações em que transcrições falsas de chamadas telefônicas teriam sido produzidas para simular a concordância das vítimas.
Os recursos retirados das contas eram direcionados a entidades associativas que, segundo a investigação, serviriam como intermediárias na operacionalização do esquema. Entre as associações citadas pela Polícia Civil estão CASSISP, SBSP, ASPJUB, CASSISPUB, Mão Amiga e COBJUD.
A suspeita é de que a prática investigada esteja ocorrendo desde o ano passado. Agora, os policiais trabalham para identificar outros possíveis envolvidos e verificar se o número de vítimas pode ser maior do que o inicialmente apurado.
Além do levantamento dos valores desviados, a investigação busca esclarecer como as cobranças eram inseridas nas contas e qual teria sido a participação de cada integrante do grupo.
Caso tem características semelhantes à fraude investigada no INSS
Segundo a Polícia Civil, o modelo utilizado pelos suspeitos apresenta semelhanças com irregularidades investigadas em âmbito nacional na Operação Sem Desconto, conduzida pela Polícia Federal.
Naquele caso, as apurações envolveram cobranças indevidas aplicadas a aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) entre os anos de 2019 e 2024, por meio de descontos vinculados a associações e entidades representativas.
A semelhança nos métodos levou os investigadores a aprofundar a análise sobre a atuação das entidades envolvidas e os mecanismos utilizados para validar as cobranças.
BRB é alvo de nova apuração
A operação desta terça-feira ocorre poucos dias após outra investigação envolvendo o Banco de Brasília. Na última semana, o Ministério Público do Distrito Federal e Territórios realizou uma ação para apurar supostos descontos irregulares na folha de pagamento de servidores públicos distritais.
Na ocasião, foram cumpridos 50 mandados de busca e apreensão. Entre os investigados estavam o ex-secretário de Economia do Distrito Federal, Ney Ferraz, o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, e o diretor do PicPay, Eduardo Chedid Simões.




